Novembro, 2018
forsaken
Forsaken é a exploração da conexão humana com o meio e os bens materiais. A relação de intimidade que se estabelece com o espaço que temos como casa. O projeto coloca-nos perante cenários de devastação causada pelo Homem. Mostra-nos, através de imagens, a marca do tempo que se evidencia na degradação material.
Uma série de nove imagens, marcada pela prática da straight photography, que consiste em registar imagens através do contacto direto da câmara com a realidade, zelando por um ângulo reto e pela ausência de pós-edição.
Realizada no ano de 2018, a série Forsaken tem o intuito de explorar e compreender o esquecimento. Um espaço vazio de presença humana, mas repleto de histórias e vivências. Imagens serenas, de momentos congelados no tempo, que evocam todo o ruído subjacente a memórias entrelaçadas de uma vida passada.
Esta série é a procura pela beleza nas composições desordenadas destes cenários de caos e ruínas. Ruínas que podem ser encaradas não apenas com uma conotação negativa – relativa à perda e destruição -, mas também como um simbolismo de libertação material e espiritual, que abre espaço para a reconstrução e renascimento.
Todos somos feitos de experiências, nas quais o passado e o presente constroem o futuro. É esta soma que nos torna seres em evolução e constante renovação. Devido à ausência da figura humana, todas as obras desta série carregam na sua memória instantes da passagem do Homem e as suas ações, momentos, histórias, afetos e interesses de vida.
É uma oportunidade para pensar e refletir, onde cada peça mostra a sua voz e a sua alma. Sente-se o pisar no chão, uma presença à janela, ou sentada a ver revistas e jornais. Ouve-se o caminhar sereno de quem procura nos passos um caminho de encontro com a sua vida. Uma vida que se fez de pequenos instantes e momentos partilhados. A soma destas imagens remete o visitante para outros tempos, num caminho em que o abandono e o desgaste se apropriaram de quem por ali passou e onde tudo pode voltar a renascer.







